Suicide Club (2001)

Coluna: Machadadas
Autor: Ribas Machado



Resumo


Após 54 meninas do ensino médio lançarem-se, de mãos dadas, felizes e cantando, sem nenhuma razão aparente, na frente de um trem do metrô de Tókio, dando início a este que parece ser apenas o começo de uma série de suicídios em todo o Japão, o detetive Kuroda (auxiliado pela Hacker "Morcego") tenta entender/investigar o que está acontecendo, investigação esta que não será tão simples como se poderia esperar, principalmente pq no desenrolar das investigações surge um  suposto "clube do suicídio", que estaria instigando jovens estudantes, entediados e cansados da rotina robotizada japonesa, a cometerem suicídio de modo a darem um sentido às suas vidas.



Curiosidades

  • O nome do grupo pop "Desert" recebeu grafias diferentes durante todo o filme, provavelmente de propósito, muito embora na verdade os símbolos signifiquem "sobremesa" e "deserto" no filme;
  • "Mail-me", a canção que pode ser ouvida em muitas das cenas do filme, é um cover feito pela banda "Desert", da música original de Haruko Momoi;
  • Reparem que (no melhor estilo dos filmes de kung fu antigos em que os cabos de aço acabavam visíveis nas cenas com golpes voadores) quando os alunos saltam para a morte, do telhado da escola, pode-se ver claramente a equipe de produção jogando baldes de sangue falso na janela;
  • O computador da personagem "Morcego" (Bat) é um Apple Macintosh PowerPC 5500/225, preto. Este modelo já foi descontinuado em 1998.
  • Suicide Clube, faz referências aos filmes "The Rocky Horror Picture Show" (1975), "Uzumaki" (2000);
  • E é reverenciado por filmes como "O Albergue" (2005) e "Nova Dubai" (2014).
  • Possuiu uma versão sem cortes onde algumas cenas são mais longas e com a violência mais detalhada;
  • Em 2006, Sono disse: "Eu sempre quis fazer uma trilogia, mas na realidade é muito difícil." (ainda bem!!)
  • Teve uma versão feita em mangá, escrito por Usamaru Furuya, versão esta que apareceu ao mesmo tempo de lançamento do DVD japonês, mas que trazia uma historia um pouco mais linear e com pequenas mudanças no enredo.


Impressões


Não sei exatamente o pq, mas, ontem (originalmente publicado em 06/09/2007 no Blog: "Comentários em Série, com spoilers"), resolvi assistir esse filme oriental que além de, a princípio, ter uma história interessante, também prometia sérias criticas sociais ao Japão do século 21...

Tal filme, que teve em 2006 uma sequência chamada "Noriko's Dinner Table" (紀子の食卓, Noriko no Shokutaku), ganhou (não sei como, e também não irei fazer nenhuma releitura para tentar descobrir) o prêmio do júri, no "Fant-Asia Film Festival" 2003 e, até vale conhecer mas, é um pouco supervalorizado.

Lembro até que quando publiquei esta resenha em 2007, recebi um comentário raivoso de um fã chamado Gustavo, que dizia, no alto de seu vasto conhecimento oriental:
"Sem querer ofender, mas Jisatsu Saakuru (Suicide Circle) é um filme bem complexo, não é vendo como um brasileiro que você vai entender, tem que olhar pelo lado dos japoneses. Tem cenas fortes, muito fortes, e mexe com uma ferida aberta dos orientais, pois no Japão se cometem muitos suicídios e o filme critica isso seriamente como se a mídia influenciasse tudo. Não é um filme perfeito, mas existem MILHARES de filmes muito piores do que esse, e é claro que opinião é opinião, respeito a sua, mas acho que não é um filme para pessoas que não gostam de pensar, é necessário usar a cabeça para descobrir as tramas, e se você não entendeu, é porque provavelmente gosta de filmes com efeitos especiais, ets, e mocinhos e mocinhas e blá blá blá."
E lembro que na época eu já pensava (e ainda penso) que é sempre perigoso defender filmes (como este) que são mais densos nas sinopses/trailers oficiais do que no enredo/no desenrolar do filme em si, pois, do contrário, geralmente criam-se expectativas na cabecinha dos fãs, que passam a inventar uma historia muito melhor do que a original, vindo a defender esta versão ficcional como se real fosse...

Mas, voltando... Este filme promete tecer criticas sociais à cultura japonesa no século 21.


O filme até começa bem, meio estranho é verdade, mas começa bem, e assim se segue até o segundo terço, quando, talvez por problema de orçamento, resolvem puxar uma solução mal explicada e terrivelmente mal criada e amarrada, para em seguida colocarem um clipe de uma girl band com meninas de 12 anos e meio, que cantam as tais "criticas sociais" e fim. 

Enfim, depois de ter conseguido ver até o final, eu conclui que, na verdade a grande causa dos suicídios, não era nem o tal "Gênesis e sua gang", nem as "crianças filósofas", nem mesmo o tédio da vida daqueles jovens mas, sim, o próprio filme, filme este que, TALVEZ, deva ser parte de um plano mirabolante dos organizadores do Clube/Círculo do Suicídio para fazer com que mais pessoas fiquem deprimidas e entediadas (após ver o filme) e,com isto, aumentem as suas (do Clube/Círculo) fileiras.


Ficha técnica

  • Direção: Sion Sono
  • Produção - Seiya Kawamata, Junichi Tanakagou e Toshiie Tomida
  • Roteiro: Sion Sono
  • Música - Tomoki Hasegawa
  • Fotografia: Kazuto Sato 
  • Distribuição - Eleven Arts     
  • Estreia - 29 outubro de 2001 no "Tokyo International Fantastic Film Festival"
  • Duração - 99 minutes
  • Idioma - Japones
  • Elenco -
      Ryo Ishibashi (Detetive Kuroda);
      Akaji Maro (Detetive Murata);
      Masatoshi Nagase (Detective Shibusawa);
      Saya Hagiwara (Mitsuko);
      Hideo Sako (Detetive Hagitani);
      Takashi Nomura (Segurança Jiro Suzuki);
      Tamao Satô (LINDA enfermeira Yoko Kawaguchi);
      Mai Hosho (Também LINDA enfermeira Sawada);
      Yoko Kamon (Koomori - A "Morcego"-);
      Rolly (Genesis)
      Kimiko Yo (Kiyomi Kuroda).

E, bom, agora resta criar coragem para ver a continuação de 2005 (que, segundo levantei, retrata acontecimentos anteriores e posteriores ao filme original e dá uma melhor visão sobre vários buracos na trama de seu antecessor)  e, quem quiser, vale ver/rever o vídeo abaixo (batutinha) que contém SPOILERS E CENAS BEM FORTES (não digam que eu não avisei!!)...




Até a próxima!


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