[RELATO] 19ª Parada LGBT de São Paulo

Texto e imagens: Walmor Carvalho


E Domingo foi dia da Parada LGBT de São Paulo. E reparem que o nome é Parada LGBT e não "Parada Gay" como nossos coleguinhas de mídia têm colocado, por preguiça ou desonestidade.

Mas porque a ressalva no nome?

Porque a Parada está cada vez menos "Gay" e cada vez mais "LGBT", com o clima de festa "gay" cedendo cada vez mais espaço para a militância LGBT como um todo. E isso não é, de forma alguma, algo ruim.


O tema deste ano foi "Eu Nasci assim. Eu Cresci assim. Vou ser Sempre assim. Respeitem-me!", e cobrou acima de tudo o respeito, o fim da violência e a inclusão à população transexual.


Logo na coletiva de imprensa que precede a Parada, a organização cobrou o Prefeito Fernando Haddad sobre políticas de inclusão e o Governador Geraldo Alckmin sobre mais celeridade nas investigações sobre o caso de Verônica Bolina, desfigurada após ser presa pela Polícia Civil em Abril.



Na rua, o que se viu nos trios elétricos foi que a Parada, a cada ano que passa, está assumindo um caráter cada vez mais militante e político, em oposição à imagem institucionalizada de um evento puramente festivo. Foram cartazes, intervenções e pronunciamentos que atacaram principalmente a violência física, a intolerância religiosa e o retrocesso nas políticas públicas.



 Mas, apesar de tudo, a Parada LGBT ainda tem muito de "Gay" e o evento ainda é uma festa. A música, como sempre, foi ótima e o ambiente foi, em larga medida, saudável. No quesito atrações, Wanessa Camargo e o elenco da série, "Orange is the New Black", foram os principais destaques. Adolescentes e até algumas crianças foram vistas aqui e ali, posando para fotos.


Como nem tudo nessa vida é perfeito, infelizmente, o evento como um todo vem perdendo tamanho. Ano passado já tinha dado esta impressão, apesar do show de encerramento ter atraído um milhão de pessoas fácil, mas este ano a diminuição foi perceptível a olhos vistos.

A parada começou a caminhar horas antes do visto em outros anos, e apesar dos tapumes das obras da ciclofaixa na Paulista dificultarem uma estimativa, na Consolação eram visíveis buracos entre os trios elétricos. Também caiu como uma bomba a redução nos investimentos da Prefeitura destinados ao evento. Além de triste, é preocupante pra caramba pela importância da Parada para o Turismo da cidade e, acima de tudo, para a luta LGBT.


Porém, para a questão financeira há ainda uma luz no fim do túnel: Patrocínio privado. Tanto neste ano como no anterior, a Netflix entrou com uma boa grana (e inclusive trios elétricos) no evento, e a organização está correndo cada vez mais atrás deste filão.

Já sobre a mobilização, espero de coração que as próximas paradas voltem a ser atrativas para a população LGBT e para o grande público em geral. Eventos como este são mais do que dias de festa, são eventos importantíssimos de luta e pressão política. E a crescente veia ativista da Parada não pode se perder assim, não no momento que atravessamos.


Bom, por esse ano ficamos por aqui.

Forte abraço!
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