[Relato] Ato dos Indios Guarani

Texto e imagens: Walmor Carvalho


Nos últimos meses a situação dos índios Guarani que moram na região do Pico do Jaraguá ganhou notoriedade, mas a história se resume basicamente ao seguinte: o Ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Tito Costa, entrou com um pedido de reintegração de uma área, a que dizia ter posse, próxima ao Pico do Jaraguá, na zona Oeste da Capital, para a exploração de eucalipto. Porém, no local, existem duas aldeias de índios da etnia Guarani, numa terra reconhecida pela Funai como sendo o menor território indígena do país.

As reuniões conciliatórias malograram, e a reintegração de posse já estava marcada quando foi finalmente expedida a Portaria Declaratória N° 581 do Ministério da Justiça, que declara 532 hectares do Jaraguá como território tradicional Guarani e suspende a reintegração.

Guaranis e ativistas comemoraram, mas a luta ainda não acabou.

O que nos traz ao ato do dia 18 na Paulista...


Com o tema "Jaraguá é Guarani! Agora é Tenondé! Contra reintegração de posse no Itakupe e pela Portaria Declaratória do Tenondé Porã", Ativistas e índios de outras etnias se uniram aos Guaranis do Jaraguá e da região de Parelheiros para exigir não só agilidade na demarcação física da Aldeia Itakupé, no Jaraguá (já que a Portaria se limita a garantir posse permanente e usufruto) como também para exigir a Portaria Declaratória para a Aldeia Tenondé, em Parelheiros.


O ato estava marcado para o Vão Livre do MASP, e por volta das 13 horas, os Guarani já estavam preparando suas pinturas de Urucum e seus adereços.



Por volta das 15, os Guaranis se reuniram em círculo e cantaram suas musicas tradicionais, e logo em seguida se reuniram para combinar o trajeto e quem ficaria responsável pelas faixas. A polícia fez-se presente durante todo o ato, porém de forma a apenas garantir uma das faixas da Avenida livres para o trânsito. E então partimos, rumo à Praça Roosevelt.



O trajeto foi tranquilo, com chocalhos intercalando-se a gritos de guerra agudos dos Guarani.
 
As únicas ocorrências durante o ato foi uma breve discussão da organização com a polícia sobre a liberação do trânsito, e um taxista que tentou avançar sobre um ativista no cruzamento da Paulista com a Consolação.


Na consolação, vários panfletos foram distribuídos... E o momento mais bacana (pra mim) foi quando um Guarani, da aldeia de Parelheiros, fez um gesto contra o mosaico de um Jesuíta entregando livros a crianças indígenas que fica no muro de uma escola. Todos nós sabemos bem dessas páginas na história do nosso país, e acredito que não preciso explicar muito mais.


O protesto parou logo em frente à Praça Roosevelt para o ato de encerramento, e todos novamente cantaram músicas tradicionais.



Outro momento muita bacana foi quando os garotos Guarani se colocaram a correr e a dançar em círculos, fazendo barulho, num misto de dança, brincadeira e exercício. Correram, pularam, agacharam e giraram ao som de um violão e de uma rabeca




Até que, por fim, todos se uniram, levaram as mãos para o alto em união, e se espalharam pela praça para curtir o fim de tarde.


Para mais informações sobre esta luta, acompanhem o site da campanha Guarani SP


Abraços e até a próxima!
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