[REGISTRO] Estive na Manifestação pró-Dilma em São Paulo

Texto e Imagens: Walmor Carvalho



 (Coleguinhas posicionados durante a concentração)


Se domingo foi dia de criticar, Hoje foi o dia de defender.

Hoje foi o dia de uma convocatória geral da Esquerda Brasileira para fazer frente aos protestos em defesa do Impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

A ordem era...



E, contra o clima (frio e chuvoso) e a ressaca de Domingo, lá fui eu com os coleguinhas para mais uma cobertura.

O ato foi convocado para as maiores capitais do país, e em São Paulo ele estava marcada para as 17:00 horas no Largo da Batata, um dos centros nervosos da capital paulista. O local em tese é perfeito: Bastante espaço livre, acesso fácil a transporte público...

Antes mesmo das 17, o local já começava a fervilhar de militantes de esquerda dos mais diversos alinhamentos. As bandeiras e balões eram das mais variadas representações, mas alguns grupos tinham destaque: Centrais sindicais com balões, movimentos estudantis com baterias e bandeiras, alguns poucos representantes de partidos com adesivos e, na ponta-de-lança, os movimentos de moradia com trio-elétrico, faixas, bonecos de malhar-judas e militantes que não paravam de chegar, pelo transporte público ou por ônibus fretados.

Quanto ao discurso, o tom era um tanto cacofônico. Bandeiras, faixas e o microfone oscilavam entre o apoio à presidenta e a crítica às suas políticas e aliados.

Provocações aos "coxinhas" dos atos de Domingo também foram feitas. E é aqui que faço uma pausa e coloco minha primeira de duas críticas ao ato: Esse posicionamento dúbio é, além de vergonhoso, extremamente perigoso para a esquerda brasileira.

Ao oscilar entre o apoio e a crítica, os movimentos demonstram pouca autonomia em relação ao PT e fraqueza de suas próprias plataformas. Com isso, a esquerda fora do PT mostra-se sem união para caminhar com as próprias pernas e sem poder de pressão junto ao Governo Federal.

A única coisa que unia as diversas facções presentes era a defesa do mandato da Presidenta, e isso faz com que o gabinete e a chefia do partido continuem isolados das bases na rua, perdidos numa nuvem de falsa aprovação.

O único grupo (e, por sinal, o maior em tamanho) que consegue fazer essa política dupla dar certo é o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), que mantém uma base de apoio ao Governo Federal mas não hesita em partir para o ataque em ações diretas de escala nacional. Enquanto isso, os outros grupos (como as Uniões Estudantis, as Centrais Sindicais e outros partidos) oscilam entre o apoio cego e as críticas vazias (que, por vezes, beiram a birra de uma criança mimadinha) que garantem a manutenção do estado de coisas atual. Esses movimentos precisam urgentemente sair de cima do muro em relação à postura da Presidenta, e transformar esse "tapa com luva de pelica" num tapa de verdade.

Mas, voltando ao ato.

Eram já 17:30, e o Largo da Batata já havia ficado pequeno para tanta gente. Militantes mais afoitos acendiam sinalizadores e pequenos fogos de artifício coloridos enquanto Guilherme Boulos, lider do MTST, bradava ao microfone a presença de pelo menos 40 mil pessoas.

Logo, a massa ganhou o asfalto e finalmente começou a se alinhar para a saída da marcha, sob um tempo cada vez mais frio e ameaçando chuva.

À frente, com as maiores faixas e o maior contingente humano, os militantes do MTST iam montando um cordão que não se decidia se ficava antes ou depois da faixa principal.

As informações entre os coordenadores das ocupações eram desencontradas, contingentes enormes de militantes cortavam caminho até a linha de frente pela contramão, e o ato caminhava - literalmente - aos trancos.O que me traz à segunda e derradeira crítica: Falta organização e diálogo.

Um dos principais elementos de sucesso das "micaretas anti-Dilma" é justamente o fato daqueles atos ficarem sempre pro Domingo. E a sacada é genial. Quem trabalha pode comparecer sem grilos, o trânsito não sofre tanto impacto, o clima é mais descontraído...

Enquanto isso, o pessoal pró-Dilma marca um ato proclamado como resposta direta a essas manifestações em plena quinta a tarde, no horário de pico. Toda a logística se complica. O transporte público simplesmente trava, os ônibus de militantes ficam presos e não chegam na hora necessária, o andamento da marcha se complica, milhares de pessoas ficam presas no trânsito estressadas...

O que tem a ver uma coisa com a outra? A manifestação joga a população contra si mesma, ao invés de agregá-la.

Essa escolha da organização, junto com a retórica virulenta do "Nós contra os coxinhas" antagoniza com a população que está fora do ato e só quer chegar em casa, ao invés de engajá-la na luta pelos próprios direitos. Essa política fechada ressoa com o pior do discurso petista desde 2010, que jogou a classe média que votou no lula em 2002 contra o partido e colocou os núcleos tradicionais de militância como blindagem.

Pior: Mostra que essa nova face da esquerda que tenta a todo custo seguir seu próprio rumo está repetindo os mesmos erros.

E o tiro no pé é maior do que uma questão retórica. O ato hoje andou a Faria Lima inteira aos murros, com os carros de som (forrados de lideranças e coleguinhas) presos no fundo e os manifestantes andando espremidos e sem direção tentando pegar o acesso para a Rebouças.



Não seria tudo mais fácil se o ato tivesse sido marcado para este domingo? Um bom domingo a tarde, com todos os trabalhadores e as suas famílias. Tenho certeza que as 40 mil pessoas do Boulos teriam se traduzido em 100 mil, e sua mensagem teria se espalhado além de sentimentos de vingança e fúria de milhares de zés presos no trânsito.

Mas divago.

Com o aperto da chuva e a ameaça iminente de meu equipamento ser arruinado pela chuva, encostei embaixo de uma marquise bem na esquina da Faria Lima com a Rebouças, onde aproveitei para guardar a câmera e chegar a estas conclusões finais durante uma breve conversa com um homem na casa de seus 40 e poucos anos e um colete da CUT por cima da roupa. Fim de expediente.

Abraços e até a próxima
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