Ato pelo Impeachment 13/03

Coluna: Pé no Asfalto
Texto e fotos: Walmor Carvalho


De todos os dias pra sair de casa, tinha que ser justo esse...


Logo após a cobertura do carnaval me retirei para me recuperar de uma bruta crise de bronquite e  pensar um pouco na vida. E, em nome da curiosidade e dever jornalístico para com vocês, meus queridos leitores, trago-lhes o que vi e vivi nesse Domingo 13 que, para o bem ou o mal, vai ficar gravado na memória.






O dia em si não guardou tantas surpresas além das que todos vocês já podem imaginar: camisas da Seleção Brasileira, fantasias de soldado e de gente importante,carros e mais carros de som. O que chamou grande atenção foi que o volume da coisa toda foi jogado no 11: Com as recentes investidas contra Lula e o PT, toda a oposição se alvoroçou e colocou o circo completo na avenida. Não vou entrar na briguinha de números com uma estimativa, mas seguramente esta foi a que mais colocou gente na Paulista - em quantidade e "qualidade". Eu pessoalmente tive a chance de clicar Alexandre Frota com uma camisa do Revoltados Online e um cover do polêmico Policial Federal Newton Ishii, o "Japonês da PF" posando para selfies e fotos.





Tudo isso junto da turma de sempre de fantasiados, batedores de panelas, milicos, fascistas, "anarcocapitalistas"... vocês entenderam. Até o Sr. José de Freitas, figura marcada dos protestos contra a tarifa e contra o Governo do Estado, estava presente.
 

Nossa velha amiga "Dona Gracinha"



A cereja do bolo na minha cobertura, porém, ficou com o "encontro" que tive com a trupe do PSDB próximo ao carro do MBL ao lado do MASP. Por acaso, presenciei vários colegas clicando as câmeras loucamente no acesso ao trio elétrico do MBL e, por instinto, entrei no bolo. Eram nada menos que o Secretário de Segurança Publica Alexandre de Moraes, o Governador Geraldo Alckmin e, encolhido mais atrás, o Senador Aécio Neves acompanhados por uma pesada entourage de segurança, imprensa e curiosos que alternavam entre vaias e aplausos. Sei lá como consegui me meter nessa salada e ainda não me decidi se me arrependo.




Detalhe pro Aécio se borrando ali atrás

Pelo que pude entender no meio daquela confusão infernal, os três iriam discursar no carro para o publico mas algo deu errado. Alckmin e Moraes ficaram alguns segundos em frente a um banner do Movimento atrás do carro antes de todo o bolo ser empurrado para a saída dos fundos. Nesse momento, Aécio que estava mais atrás fica prensado junto comigo entre uma caralhada de seguranças e outra caralhada de fotógrafos desesperados.

Na saída, as vaias e xingamentos aumentaram, com xingamentos de "Bundão", "Bandido" e "Você tá acabando com meu Estado". Ficou claro que grande parte dos manifestantes começava a considerar a galera de oposição ao PT como parte do problema - o tal do "Nenhum político presta" finalmente materializado diante dos meus olhos.

 Esse rapaz esbravejou até dizer chega para as câmeras






As coisas seguiram tensas e apertadas fora da avenida, com policiais do Choque na rua lateral sem saber como lidar com aquele volume de gente desesperada em tão pouco espaço. Mas, afinal, a rua alargou e começamos todos a andar na contramão do trânsito, o que facilitou as coisas. Aécio e Alckmin tentavam disfarçar a tensão com sorrisinhos e acenos, mas os gritos de "político corrupto" não podiam ser ignorados tão fácil. Na descida, inclusive, uma lata de cerveja cheia chegou a ser lançada por um senhor grisalho e risonho em Aécio Neves, que deu um pinote á frente e logo voltou a acenar e posar para fotos com seu sorriso tenso. Já Alexandre de Moraes nem fez questão de esconder o desconforto. Por fim, todos eles entraram correndo em uma van de vidros fumê nos fundos do Dante Alighieri. Fim de papo.







A esta altura o protesto já estava em fase final, e foi nessa hora que percebi a quantidade de pessoas: Era simplesmente gente demais pra sair da avenida e boa parte das ruas laterais travou. Após 15 minutos manobrando, consegui chegar na Rua da Consolação que chegou a ter parte do trânsito parado pelo puro volume de gente entrando no metrô e tentando entrar nos ônibus.



Moral da história? Percebo agora pensando com calma, que a coisa toda tomou proporções que começam a escapar do controle. A oposição política que sempre instigou a massa contra o Governo Dilma com o discurso da corrupção está caindo vítima do mesmo discurso, o que deixa a população largada às mãos dos analfabetos políticos, trambiqueiros e até fascistas que começaram com a coisa toda. Não preciso nem vou citar nomes, não são nenhum segredo pra nenhum de vocês.

A conjuntura agora é a pior de todas: Uma massa inflamada a querer ocupar as ruas por qualquer coisa, que abomina a ideia de uma "esquerda socialista" mas que escapou aos dedos da direita que tentou tomar o controle e que caiu na mão de um bando de fascistas e canalhas com a legitimação de uma imprensa cansada e a leniência de uma esquerda dividida e melindrosa. E tudo isso em meio a um mundo em crise econômica e social, um continente em polvorosa e um país à beira das Olimpíadas...

... Mas, em respeito à sua paciência e consideração por ter chegado até aqui, concedo a piedade de um ponto final.



Abraços, amigos, e até a próxima.
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